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agosto 31, 2002


ESPELHO
Giulia Moon

Espelho repete os medos.
Desvenda o que não vemos
no espelho da menina
dos olhos cegos de egos.

As letras, a luz espelham
e espelhos as multiplicam.
Luz, espelho, reflexo,
nada senão a alma.

Simbiose sem nexo.
Frio amplexo.


Ilustração: Aubrey Beardsley (1872 -1898)

Ahhh... GRIPE, DE NOVO!

Nada vampírica esta manhã. Coriza, olhos inchados, dor nas costas e uma leve gastrite. Dr. Dirceeeeu! Cadê o meu anjo protetor de vampis duentis? Encontrar um bom médico deveria ser um objetivo tão importante quanto ser bem-sucedido profissional ou amorosamente. Já passei e passo por um batalhão de doutores, criaturas alienígenas de gélidos olhos indiferentes, que, atrás de uma mesa resplandescente, apenas lêem de olhos baixos os resultados dos exames, e, decretam, agora incriminadores, que você é a única e indecente culpada por ter uma gripe ou outra doença qualquer. Mas tudo bem, já encontrei o meu doutor. Só falta ter um filho e plantar uma árvore. Nada que não possa ser deixado para um futuro bem distante. Outra vida, talvez.

Dr. Dirceu foi indicado pelo meu sócio, Ricardo, que é um paciente profissional. Explico: ele, que é bastante inteligente, acostumou-se desde cedo a ler bulas, discutir sintomas, investigar as mais novas descobertas da indústria farmacêutica. Hipocondríaco? Quase. Pois pressupõe-se que os hipocondríacos simulam doenças. Mas Ricardo não. Quando ele se diz doente, está mesmo. Ele é capaz - como já aconteceu, de verdade - de, numa conversa inconseqüente em que todos comentam sobre doenças e os próprios sintomas, apontar para alguém do grupo e dizer: "Vc está com tuberculose. Vá a um posto de saúde." E o cara tinha mesmo tuberculose! E Ricardo, o paciente-modelo, disse, quando soube que eu estava passando mal, com suores frios e dores no abdômen: "você está com uma infecção intestinal. Vá ao Dr. Dirceu, o único em quem confio." "Vc acha que ele é bom, Ricardo?" "Claro que é. Ele salvou a minha vida." Dramáticas palavras, mas Ricardo odeia dramas. E se ele falou...

Portanto, fui. Oito da noite, um rosto de meia-idade, cabelos brancos, olhos sorridentes por trás dos óculos, uma figura esguia de branco. Primeiras palavras: "Ah... Você está com febre! Coitadinha!" Coitadinha? Há quanto tempo não ouvia esta palavra! E então percebi que muitas expressões que você não mais ouvia em lugar algum faziam parte do vocabulário do Dr. Dirceu: "Você está melhor? Que bom, que bom!", "Não se preocupe, você está melhor do que eu.", "Olhe que resultado maravilhoso! Que exame perfeito!". É engraçado? Pois pra quem está lá, sofrendo, estas palavras são como um bálsamo numa ferida. Já se passaram anos e anos. Passamos juntos pela pedra na minha vesícula que ele descobriu no próprio consultório, apalpando com a mão o meu tórax, e pediu os exames só pra confirmar; por uma espécie de herpes que curou pelo telefone, diagnosticando e medicando enquanto estava viajando; por amigos que indiquei e entre os quais, pelo menos dois, foram salvos pelo bom-senso e ação rápida do Dr. Dirceu; e, principalmente, por vários fins-de-semana, em que ele atendeu sempre, infalível, por telefone, qualquer - qualquer - problema que por acaso eu pudesse ter.

Há um mês, Dr. Dirceuzinho, o meu anjo da guarda, olhou para mim por um instante e disse: "Sabe, lembrei agora do seu papai... Há quanto tempo ele morreu?" "Há dez anos, Dr. Dirceu." "Já? É... às vezes ainda tenho saudades dele. Nós conversávamos muito aqui no consultório. Sabe, é duro. As pessoas que vc gosta... morrendo..." Então pensei que o meu anjo da guarda era um ser humano adorável. E percebi o quanto deve ser penoso ser esse anjo. Os médicos indiferentes atrás das mesas, os caras que sempre nos referimos como frios e calculistas, são apenas seres humanos, que protegem, como podem, a fragilidade dos seus corações - expostos dia-a-dia à miséria do corpo e da alma dos pacientes. E eu percebi como Dr. Dirceu é forte, sempre sorrindo por trás de seus óculos. Então soube. Até para sermos bons, precisamos ser fortes, afinal.

Gripe, de novo. Mas tudo bem. Se não melhorar, ligo na segunda pro Dr. Dirceuzinho. Juntos vamos colocar as nossas armaduras de gatifloxacinas e citratos de fenelamina, armados de super-microgrânulos gastro-resistentes. Moinhos de vento, dragões e serpentes marinhas, pesadelos noturnos e a morte, por fim. Nada nos deterá!


agosto 29, 2002

THE DAY AFTER... VAMPIROS CANSADOS PRECISAM SE ALIMENTARRRRRRR. MMMM...


Vejam só o que encontramos numa estação do metrô... Depois de escapar ardilosamente da tocaia da Ursa Mô na catraca, Tetsuo não escapou das garras da Srta Moon. Devidamente conduzido ao coven da Vampira Paulistana, foi degustado pelas seguidoras da seita de-mooníaca. A quem apetecer, repita comigo: TÔ CUM FOOOOMI!"


Foto tirada por uma amadora (adivinhem quem!), flagrando um momento dramático: Tetsuo, na sua ânsia egoísta de deixar as vampiras sem o almoço de domingo, captura JC, o vampingüim, e o utiliza como refém. Ursa Mô, como uma ursa politicamente correta, hesita, receosa de ferir JC. A emoção do momento justifica as condições precárias da foto. Desfecho não-documentado: JC dá um cacete no Tet, usando os golpes de Ai-ki-dor que aprendeu em alguma de suas viagens e o entrega às autoridades competentes, no caso, as vamps. Tudo termina bem para todos os inocentes vampiros, menos para o vampeixe Tetsuo...


Um poema para vocês... Beigius, crianças. Até amanhã!

Obscuro
Giulia Moon

Sou um ser que na escuridão viceja,
nas coisas mortas, nos restos d’outrora.
Existo no vazio, imensidão malfazeja,
de tudo o que era e não mais é, agora.

Vivo em nichos de velhos prédios decadentes,
nas páginas de livros mofados na memória,
nas imundas garrafas ressequidas de maltes,
nas lembranças senis, sem nenhuma glória.

Às vezes, só às vezes, consigo sair da letargia,
lanço as garras, velha arma cortante.
E, afinal, alcanço a tenra presa pulsante...

São filhotes humanos, minúsculos seres viventes.
Seus olhos lívidos, dois buracos sangrantes.
Ah, eterna fome que a morte jamais sacia!


agosto 28, 2002

THE END... AS FOTOS ACABAM, MAS A FESTA NÃO! ENQUANTO A MÚSICA DOS VAMPS NÃO PARAR DE TOCAR, ESTAREMOS SEMPRE JUNTOS, A ESPERAR POR VOCÊS... VENHAM, NEÓFITOS. VENHAM, SONHADORES. VENHAM, SERES NOTURNOS PARA O NOSSO ABRAÇO GELADO!


Para as tietes do Paulo. O nosso Doc fazendo pose e depois dizendo: "Porra, tô com cara de viado!" ao olhar a foto no monitorzinho da máquina. Vocês acham?


Pandora, Alone e Natália. Trio elétrico de vamps agitando a Madame com sangue caliente!


Olhem só, Alone ao lado do novo darling global: Marcos Torrigo! Ele estava também na Festa da Tinta Rubra!

Foi assim a nossa noite,
o castelo fervilhando de amores, amizades, sangue e suores.
Querida Tinta, 4Ever Rubra,
seduzindo aos que têm paixões e emoções para durar uma eternidade!


"There is a pleasure sure
In being mad,
which none but madmen know!"
J. Dryden (1631-1556) The Spanish Friar



agosto 27, 2002

HUUUUUM... MAIS FOTOS, MAISMAISMAIS!


Raduan no pedaço... Ou pedaços de uma dama de prata à mercê do apetite libidinoso do meio-vampiro que nós amamos! Tita, cúmplice... E o olhar atônito do Sr. Seckmet!


Raduan cercado pelas vampiras famintas! Nem ele pode com elas... ou pode? Seck, Tita, Srta. Moon e Natália, doce sobrinha da Tita, em sua primeira orgia vampírica!


Duas vampiras com o mesmo apetite escandaloso. Carmilla, owner e webmonster do blog mais indecente do mundo vampírico. Quanto à Srta. Moon, ou seja, eu mesma, no comments...


O castelo rubro e a sua corte: Dri e sua Lila, Tita e Paulo (ou será Raduan?). Fazendo pose de certinhos, pra enganar os mortais incautos...

CUIDADO! FOTOS DE CRIATURAS PERIGOSAS... SÁBADO, NO MADAME SATÃ.


Mônica "Ursa" Virgo, Srta. Moon, Paulo "Doc" Castro, Deusah Seckmet, num momento de ternura antes de cravarem suas presas em mais um inocente mortal.


As três vampiras: Carmilla "Faminta", Mô "Quebra-Ossos" Ursa, Tita "Insaciável"... Nem Conde Drácula teve damas tão sedutoras no seu castelo!


Ah... sou eu de novo! Srta. Moon e Deusah Seckmet. Se quiserem saber o que estávamos planejando, dê uma boa olhada nos anéis idênticos. Venenos não faltam, para manter os mortais bem quietinhos antes da mordida!


UAU! Os vampiros atacam! Doc faz sua cara de menino inocente enquanto Alone Soul mostra a sua verdadeira face sinistra...

Sábado, lua cheia, irmãos de ninhada a uivar sem parar. Gargalhadas loucas. Dança e prazer. Escrevemos na noite crua mais uma crônica de vampiros. A tinta? Era Rubra. A inspiração? De cada um, cada irmão alimentando o outro, sugando e dando o que tinha de melhor. Boa noite, vampiros. Vamos em frente, juntos. Até que a vida nos separe...

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